KARIRI xOcÓ

Porto Real do Colégio, Alagoas
Manifestação: TORÉ / ROJÃO

Kariri Xocó no filme Turista Aprendiz:

KARIRI XOcÓ

Porto Real do Colégio, Alagoas
Manifestação: TORÉ / ROJÃO

A aldeia indígena Kariri Xocó esta localizada em Porto Real do Colégio, Alagoas, à margem esquerda do rio São Francisco, na divisa com Sergipe, região onde estão pelo menos desde inicio do século XVIII. Vizinha à área urbana do município, os Kariri moram atualmente em casas de alvenaria e têm alto nível de mestiçagem com a população local, enfrentando assim uma enorme dificuldade no reconhecimento de sua identidade como povo indígena. Buscando manter um modo de vida que comporte sua cultura milenar, sofrem grandes preconceitos junto à comunidade do entorno, tendo dificuldade ainda em se inserir no mercado de trabalho, enfrentando conflitos no sistema educacional e sofrendo pressões para que abram mão de suas atividades rituais.
Ainda assim, os Kariri-Xocó formam uma nação que se destaca entre os povos indígenas do nordeste na manutenção da sua cultura tradicional. Música, dança, língua, artesanato, medicina, costumes e organização social foram preservados, assim como sua intensa religiosidade, vivida através dos rituais diários e do grande rito anual do Ouricuri.
A denominação tribo Kariri Xocó é recente (inicio séc. XIX) surgiu da união entre os Kariri e os Xocó, e a fusão de vários grupos tribais desta região depois de séculos de aldeamento e catequese. O 1º Posto da Funai na aldeia foi criado em 1943, cujo primeiro relatório informa que a população dos Kariri Xocó era de 166 pessoas. Em 1979, havia 728 índios registrados neste Posto, atualmente encontram-se perto dos 3.000.
Vivem em parte do seu território tradicional. A sobrevivência durante séculos garantida pela agricultura pesca e caça, foi alterada por diversos fatores, entre eles, as barragens no rio São Francisco. Atualmente sobrevivem como trabalhadores em plantações de arroz de não-índios, embora as plantações estejam em suas próprias terras. Outra fonte de renda é o uso do barro para a fabricação de tijolos pelos homens, sendo as mulheres do grupo famosas ceramistas, dedicando-se a fabricação de utensílios e potes de barro, que são vendidos na feira local.
A língua nativa é o Macro-Jê, que perdeu sua presenca na vida dos Kariri Xocó ao longo do tempo, sendo que nos dias atuais apenas os mais velhos falam a língua e apenas alguns termos são usados na aldeia para designar plantas medicinais por eles utilizadas e expressões do ritual do Ouricuri, assim como nos cantos.
Excelentes cantores, os Kariri tem a música como alicerce das mais diversas
atividades. O trabalho, a religião, a cura, o lazer são conduzidos por ela, que reflete simbolicamente os ciclos da natureza e a vida social da aldeia. Os torés são danças rituais cantadas em português ou na lingua nativa (Macro-Jê) cujos temas e coreografias estão sempre ligados a elementos da natureza como os pássaros, as folhas, a terra, o fogo, o vento, etc e têm diversas funções como a cura, a celebração de festejos e ainda a comunicação com os ancestrais. Os rojões são cantos de trabalho que impulsionam e organizam o trabalho dos mutirões na roça, nas plantações de arroz, nas casas de farinha ou na tapagem das casas.

Gravado em 22 de janeiro de 2005. Gravações adicionais de janeiro de 2002.
vozes: Tchydjo (Humberto Cruz), Caiana (Maria de Fátima Cruz), Djenoraya
(Iracema Souza Silveira), Ianoraya (Elizabeth Souza), Iracoama (Jirene Cruz),
Kaway (Antônio Ricardo Cruz), Suyré (Ademir Cruz), Tawanã (Eusanin Cruz), Tchale (Ineson), Tchydiá (João Mário Cruz), Wyanã (Gildeon)

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